O tempo está cada vez mais acelerado e a sensação é de que o tempo está voando. Observo que não sou a única a ter essa sensação de ter o tempo escoando pelas mãos, a urgência decorrente dessa impressão resulta na avidez de se ganhar tempo, pois ele passa muito depressa e a vida passa, não o controlamos.

Recordo-me de que, quando criança, por volta dos meus nove anos de idade, minha família e eu passávamos alguns finais de semana na fazenda dos meus avós paternos e, ao arrumar as malas eu sempre iniciava religiosamente pelas bonecas, seguido do caderno de desenho, minha bolsa contendo os lápis e canetinhas de diversas cores. Durante a viagem eu ficava observando atentamente a paisagem e assim tentava guardá-la na mente para que eu pudesse realizar um bonito desenho para minha avó, Maria Stella.

Geralmente chegávamos na fazenda na hora do café da manhã, e como se num passe de mágica, a mesa já estava servida com muito queijo, leite, pães, bruaca e o café inconfundível da minha avó que aromatizava toda a casa. A mesa enorme de madeira robusta e cheia de gavetas era o centro de boas conversas e gargalhadas a serem compartilhadas. Meu avô, Raimundo, sempre sentava à mesa para contar as histórias de Camões. Numa pausa entre um pensamento e outro, ele retirava o chapéu de couro de sua cabeça, tomava um gole de café quente e depois da careta soltava seu jargão: “O movimento é esse mesmo” e, logo se retirava apressado dizendo que tinha muitas coisas para resolver. Era uma pressa saudável para depois repousar e aproveitar os momentos em comunhão com a família.

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