Crônica Pessoalidades

Por onde recomeçar?

Retornar ao blog é sempre muito difícil pra mim, pois, na verdade, já faz um longo tempo que ele não faz parte da minha rotina e do meu foco. Vez ou outra, mais precisamente, quando recebo o e-mail da renovação do domínio é que eu me recordo e vejo que foi através do blog que conquistei algumas coisas e que posso transformá-lo em algo maior e conquistar outras mais. São muitas as possibilidades que um meio de comunicação pode nos proporcionar.

O tempo passou e estou de volta! Escrevendo sobre meus últimos meses desde o meu último post, que foi em janeiro, deste mesmo ano. Então, minha relação com esse espaço, sempre foi esse amor platônico que nunca vai pra frente.

Existe uma amiga, que apesar da distância, sempre trocamos mensagens e conversamos sobre a vida, arte, música, design, animais, memes… e ela sempre me fala: monange, você deveria escrever suas histórias; então eu recordei que tenho esse blog e pensei: por que não, Edna?

No início da quarentena, até arrisquei um mini planejamento pra renovar o layout, estudar uma forma de deixar como eu estava pensando, mas novamente por conta das inúmeras atividades (trabalho, faculdade, atividades do lar, desafios, cursos), ali estava eu, mais uma vez abandonando a ideia de reviver o blog.

Nos primeiros dias de quarentena, eu estava conseguindo ser muito produtiva, assistir todas as aulas online da faculdade, iniciar alguns cursos, bem como manter um horário regular, para acordar, fazer as refeições, realizar as atividades do lar, praticar Yoga e até meditar antes de dormir.

A quarentena excluiu muitas coisas que me faziam bem e, de repente, fui obrigada a conviver com a minha ansiedade e minhas inquietações. Estamos há 67 dias em casa e por conta da crise eu parei de usar o planner, de praticar Yoga, meditar, assistir as aulas com mais afinco, enfim as coisas começaram a se complicar muito e o sentimento de culpa, de impotência só crescia.

Atualmente eu não consigo abrir o LinkedIn e nem passar muito tempo no instagram, pois o sentimento de angustia e tristeza me consome de tal forma que me dá ânsia. Não consegui finalizar o curso que planejei, não consigo responder a todas as mensagens dos grupos do WhatsApp / Telegram, não continuei com as atividades físicas, desregulei o meu sono e desculpe, mas não estou conseguindo lidar com toda essa loucura e pressão.

 

 

Após duas semana vivendo assim, me conformei que todo esse sentimento que estava me afligindo (e ainda está) é “normal”, então eu abracei a tristeza e as pequenas alegrias e conquistas que a quarentena me obrigou a sentir, a enxergar e me fazer refletir sobre esse abatimento mental e físico.

De fato, um dos meus grandes erros foi, sem dúvida, me comparar com as demais pessoas que estão conseguindo aproveitar esse tempo para realizar diversas coisas interessantes. Quem me conhece de verdade, sabe que estou sempre preparando um planejamento de ação e pequenas metas, mas acabei me sufocando e o sentimento de culpa me consumiu de tal forma que a crise virou uma grande bola de neve.

Logo após um banho demorado e chorar todas as dores e muito refletir, estou me sentindo um pouco melhor do que quando estava me pressionando. Depois dessa pequena dose de ânimo, senti vontade de renovar meu olhar e de expressar todo esse sentimento transformando-o neste texto.

Hoje, acordei mais produtiva, ouvi minhas músicas favoritas e conseguir aceitar que só posso realizar as metas planejadas, quando eu estiver previamente e intimamente bem. O covid-19 já não são números, eles possuem rostos específicos. Meu tio que é enfermeiro, conseguiu se recuperar em casa, o pai de um amigo que foi internado, mas que já recebeu alta, a mãe de um amigo querido que está internada e tantos outros que chega ao meu conhecimento. Não consigo me sentir segura e estou tentado sobreviver a tudo isso, vivendo um dia de cada vez e sempre em oração rogando por saúde e que a ciência encontre a cura.

Sigo lendo alguns livros no meu kindle, trabalhando home office, realizando as atividades das faculdade, dando aula online para um curso profissionalizante de marketing digital aos sábados, assistindo algumas séries da Netflix e alguns animes no Crunchyroll, em contrapartida, eu não aprendi todas as posições do Yoga, não aprendi a meditar, não consegui finalizar o desafio de UX Design, não iniciei o curso de inglês online, não consegui iniciar os cursos maravilhosos do Cuca que a professora indicou, não tenho feito exercícios físicos e nem seguido uma alimentação totalmente saudável, mas está tudo bem!

Portanto, você que está lendo esse texto, caso também esteja se cobrando muito, achando que é obrigada a ser produtiva, entregar tudo na hora e seguir o ritmo dos seus amigos ou seguidores do Instagram ou LinkedIn, não se iluda, não vale a pena! Cuide da sua paz e compreenda que o meu refúgio, talvez não seja a sua válvula de escape. Não existe uma receita previsível que nos dite a forma certa ou errada de sobreviver a essa calamidade mundial ileso, pois cada um sentirá a ferida e terá o seu tempo pra sarar. Somos diferentes.

Tente ser mais amoroso consigo e não se culpe por não suprir as expectativas que, muitas das vezes, nem são suas de verdade. Viva um dia de cada vez e lembre-se que todo dia é dia de sonhar. Faça sua parte, não seja egoísta, fique em casa e acredite que dias melhores virão.

Edna Nogueira

Especialista em Comunicação e Mkt Digital, UI/UX designer. Ama o que faz e adora compartilhar as bonitezas que encantam a alma.

Você também pode gostar...

2 comentários

  1. Um passo de cada vez, tudo no seu tempo ☺️

    1. Edna Nogueira diz:

      Exatamente, Monange. Obrigada pelos incentivos e por sempre acreditar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *